TENDENCIAS LATINO AMERICANAS DA ACP
Marcia Alves Tassinari
Participei do 8º Encontro Latino Americano da ACP, de 05 a 12 de outubro/96, em Aguascalientes, México, como representante da USU, apresentando o trabalho: "A História da ACP no Brasil, 3ª Versão". Após o evento, participei de um Seminário na Universidade Iberoamericana, além de reuniões com representantes dos departamentos de Desenvolvimento Humano, de Didática e de Psicologia, visando a possibilidade de intercâmbio com a USU. Marcos Portela e Maria Tereza Pessoa da Silva (estagiários) também participaram e levaram um trabalho, produto de reflexões de toda a equipe e, que também será hoje apresentado.
O convívio, a possibilidade de conhecer profissionais de outros países e a troca de experiências foram enriquecedores, tanto a nível pessoal quanto profissional.
A partir das apresentações que assisti, da leitura dos trabalhos que trouxe e das trocas ocorridas nos encontros da comunidade ("grupões"), esboço algumas reflexões sobre as tendências latino-americanas da ACP.
Onze países estiveram representados, totalizando 204 participantes, onde a maior parte (104) era de brasileiros, de diversos estados (AL, BA, CE, ES, MA, MG, PB, PE, RJ, RS e SP), o que gerou uma configuração especial, no sentido da língua mais falada, ....
A partir da análise das temáticas discutidas durante o encontro, temos:
TEMÁTICAS DOS TRABALHOS |
QUANTIDADE |
1. COMUNIDADE/SAÚDE/INSTITUIÇÃO |
26 |
2. PSICOTERAPIA |
23 |
3. EDUCAÇÃO |
14 |
4. TÓPICOS ESPECIAIS |
23 |
T O T A L |
85 |
1. COMUNIDADE/SAÚDE/INSTITUIÇÃO:
a) Aconselhamento:
b) Trabalho Institucional:
c) Grupo:
d) Trabalho com Mulheres:
2. PSICOTERAPIA
a) Condições Facilitadoras:
b) Técnicas:
c) Pesquisa:
d) Psicoterapeuta
e) Tópicos Especiais:
3) EDUCAÇÃO:
a) Pesquisa:
b) Aprendizagem:
c) Tópicos Especiais:
4) TÓPICOS ESPECIAIS:
a) Poder e Política:
b) Auto - Estima:
c) Aspectos Históricos:
d) Outros:
Pela primeira vez, o tema psicoterapia não ocupa a principal área de interesse em um Encontro Latino Americano da Abordagem, dando espaço para outras aplicações: aconselhamento institucional, trabalhos com comunidades carentes, com excluídos. A preocupação com o aspecto social e com a adaptação de uma metodologia "importada" para as realidades dos países em desenvolvimento tem levado os praticantes da Abordagem a repensarem teórica e praticamente o papel do profissional de ajuda que não pode mais ficar aprisionado em seus consultórios.
Podemos também destacar o aumento dos trabalhos com grupos tanto psicoterapêutica quanto preventivamente : é mais a questão da promoção da saúde do que do tratamento das doenças, quer seja no hospital geral, nas instituições psiquiátricas, na própria comunidade ou nas escolas.
Outro fator a destacar refere-se o interesse pela pesquisa qualitativa, pelo método fenomenológico, que sempre foi a metodologia preferida nas Psicologias Fenomenológicas Existenciais e, que tem estimulado cada vez mais os praticantes da Abordagem, agora mais preocupados com os fundamentos filosóficos, como potenciais norteadores de uma práxis mias engajada com os problemas pós modernos das sociedades em desenvolvimento
Outra tendência refere-se à Educação de um modo geral e à relação professor/a- aluno/a, em particular, como potentes instrumentos na preparação de um mundo mais justo. Muitos profissionais são professores e defrontam-se com questões complexas, uma vez que a Educação tradicional, autoritária, onde o professor e a instituição educadora parecem saber mais do que o/a aluno/a, não tem preenchido sua função básica de formar uma pessoa. Por outro lado, as propostas mais democráticas e libertárias têm esbarrado nas próprias contradições e paradoxos da nossa estrutura política-econômica-social. Parece que a Abordagem tem algo de construtivo e potente a oferecer, mas não pode se isolar dos macro sistemas. A maioria sente como um grande desafio, que pode ser e está sendo confrontado, a longo prazo.
No nível da psicoterapia individual, percebo um direcionamento para torná-la cada vez mais um momento especial, nas fases críticas da vida e não mais como um trabalho de crescimento pessoal; estes podendo ser viabilizados em grupos. A atenção aos estados alterados de consciência, através da utilização de relaxamento, de dança, de recursos expressivos começam a despontar com um desdobramento do trabalho mais clássico, mais verbal.
O trabalho que apresentei, ainda que voltado para a realidade brasileira, tangencia essas mesmas questões, e os encaminhamentos percebidos nesse Encontro Latino em muito se assemelham às práticas desenvolvidas, especialmente no Nordeste. A divisão em quatro momentos do percurso da Abordagem no Brasil (pré - história, fertilidade, declínio e renascimento) também reflete o desenvolvimento da Abordagem em outros países latino americanos, ainda que as datas sejam diferentes. Por exemplo, enquanto no Brasil, o período fértil foi de 1997 a 1986, na Argentina e no Uruguay foi o estágio de "hibernação", em função do momento político, principalmente e do início da Abordagem nesses dois países ter se dado após o nosso momento pré histórico.
Acróstico, que deu início aos trabalhos apresentados pela equipe de Psicoterapia Centrada na Pessoa:
A todos aqui presentes,
Bem de perto
Ou de longe,
Reunidos mais uma vez
Dentro do "esprit de corps".
Atualizando nossas práticas,
Germinando as condições:
Empatia, sentir com
Mas não sentir por.
Consideração positiva e incondicional,
Encontro de Pessoa a Pessoa,
Nutrindo o potencial da
Tendência Atualizante
Rogers, o nosso Carl, propôs
Autenticidade também,
Desdobrar os significados,
Alcançar o pleno potencial
Nós queremos compartilhar
Alegrias, descobertas e aprendizagens.
Penosas, por vezes,
Enriquecedoras com certeza.
São tantas as nuances que
Só um recorte
Ousado e criativo
Aproxima nossas intenções